Design Thinking passou no teste. Agora o que?

No começo de 2011, Bruce Nussbaum, até então um famoso colunista de Design Thinking, publicou um artigo na FastCoDesign com o título “Design Thinking é uma experimento falho. O que vem a seguir?”. O objetivo era chamar a atenção para seu novo livro, mas o tiro saiu pela culatra pois seu livro demorou muito  mais do que o esperado para sair (tomou vida apenas em março de 2013) e ele ficou afastado do contínuo sucesso do termo e abordagem. Essa semana começaram a comentar que o Design Thinking já não está mais na moda, mas que tudo bem com isso. E nesse ponto eu concordo: não estar na moda é diferente de não estar sendo utilizado e o que vemos é cada vez mais empresas e pessoas mudando completamente a maneira como desenvolvem seus projetos graças à empatia, colaboração e experimentação. Decidi então, compartilhar parte do texto que escrevi na época do artigo de Bruce aqui no blog. Boa leitura! ;)

Alguém pode até me questionar: “Mas Design Thinking não era (segundo Bruce) também uma nova onda?”. Não! Quem tem trabalhado com o assunto e é bem informado, sabe que o Design Thinking vem tomando forma desde o começo dos anos 90, e isso apenas no nome. O que a abordagem realmente prega, empatia, colaboração e experimentação, nunca deixará de ser importante para nada na vida e tem suas raízes no começo da civilização. Como sempre comentamos com nossos clientes, coloco a questão fundamental aqui para todos:

Quando que entender menos meu usuário, envolve-lo menos para me ajudar a alcançar soluções e deixar de testar de forma rápida, fácil e barata meus conceitos fará bem ao resultado final?

O grande problema do artigo de Bruce é que não o vejo falando desses elementos em momento algum. Como se não estivesse escrevendo sobre Design Thinking ou, pior ainda, como se não escrevesse sobre o assunto há alguns anos… Dá até margem para entender que, depois de todo esse tempo, ele ainda não entendeu do que realmente se trata a coisa … – o que, convenhamos, seria uma conclusão bastante triste caso fosse verdadeira. Bruce está tentando dizer que o Design Thinking está morto e que a nova palavra é inteligência criativa mesmo quando todos sabemos que criatividade sem objetividade não serve para nada. Muito pelo contrário: em projetos onde recursos como tempo e pessoas são limitados é preciso saber conduzir muito bem as informações para otimizar e dar suporte a essa “criatividade.”

Bruce Nussbaum usou sua força para tentar criar um novo jargão e tomar para si o crédito do mesmo. Para isso, tentou desacreditar algo que tem sido, sob os olhos de todos, adotado com sucesso por grandes empresas no Brasil e no mundo. Ter um termo que nos remeta a colocar as pessoas no centro de meu projeto, fazendo com que todo o processo seja realizado de forma mais colaborativa e, ok, criativa também, foi um grande passo dado de uns tempos para cá. Tentar destruir com isso só para tentar ser o pai de um novo termo foi um grande desserviço prestado pelo escritor.

Infelizmente acho que ele pagará um alto preço por isso, o que é problema dele e de todas as pessoas que optem segui-lo. Mas essa também é apenas a minha opinião. E que cada um que forme a sua!

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